terça-feira, 25 de setembro de 2012

Colonne di San Lorenzo




Eu descobri este lugar, voltando da região do Navigli, numa caminhada pelo Corso di Porta Ticinese. Eu tinha ouvido falar da Collone di San Lorenzo, que fica de frente para a Basílica di San Lorenzo Maggiore, mas não sabia o seu real significado para quem mora lá.


Eu me dirigi, pelo Corso di Porta Ticinese em busca da Basilica di San Lorenzo Maggiori. Não é um lugar que os turistas costumam ir. Uma basílica do século IV d. C, onde ainda é possível ver alguns traços da arquitetura bizantina. Um lugar realmente imponente, com uma atmosfera grandiosa.

A praça que fica em frente a basílica di San Lorenzo Maggiori é conhecida como Collone di San Lorenzo. As colunas em si faziam parte provavelmente de uma terma romana,  uma casa de banho, algo assim. Mas em algum momento, elas foram levadas para lá. Hoje restam 6 colunas lá. Bem no centro desse conjunto você vai ver uma estátua de Constantino.





       Mas o interessante mesmo é que a Collone di San Lorenzo foi um lugar tomado espontâneamente pelos jovens. Certamente, muita gente gosta de ir lá. E alguém me falou algo assim: a Collone di San Lorenzo é um dos poucos lugares em Milão que é "genuinamente milanês". Lá você vai encontrar sobretudo jovens milaneses, e praticamente nenhum turista, nem mesmo um turista italiano, de outra parte do país. É a hora e o lugar deles. Então, acho que esse lugar é tão especial para os milaneses porque contém uma espécie de identidade local.

      Então certamente as Collones di San Lorenzo não são um lugar que você vai ver nos guias turísticos. Se você passou por lá, é porquê você já sabe que lá rola alguma coisa.....



         E o que esses jovens gostam de fazer nesse lugar? Coisas de jovens, oras. Eles ficam andando de um lado para o outro, namorando, tomando uns gorós, ou ficam sentados batendo um papo diante das colunas. Mas acho que o lugar em si não tem muita importância para eles. Ninguém liga para o que esse lugar significa realmente, sua história...eles chamam isso genericamente de  "As ruínas de Milão". Mas, quem se importa? Eu tenho muito respeito por esses lugares espontâneos, que brotam pela cidade e que de repente dizem muito mais do que ela é do que certos pontos feitos para "turista ver".

        Além desse clima espontâneo, a Collone di San Lorenzo também é um local onde você vai ver diversas manifestações artísticas. De repente, um concerto ao ar livre, uma peça de teatro, ou simplesmente gente que não sabe tocar mas já está suficientemente alcoolizado para dar um showzinho (e nessas horas sempre tem alguém que tem um violão, né?) , você já viu esse filme?..onde tem gente bebendo, tem esse tipo de gente, se é que me entende?

          Então, se você é jovem e quer socializar, é pra lá que você deve ir no finzinho de noite, principalmente nos finais de semana. Mas se você não é lá tão jovem e já passou da fase de ficar bebendo uns gorós na calçada, pode só ficar sentando lá, curtindo o ambiente.












Milão: "A Terra dos Aperitivi"





Deve ter começado como uma brincadeira e virou uma verdadeira febre. Você vai ver isso em toda parte em Milão. Por volta das 6 horas da tarde, no happy hour, os barzinhos de Milão começam a servir os famosos "aperitivi": funciona assim, você paga um drink (que geralmente é um pouco mais caro nesse horário) que custa cerca de 7 a 9 euros e pode dispor de um buffet no estilo boca livre. 

Eles servem tudo numa mesa: salgadinhos, azeitonas, batata frita...até aperitivos mais requintados. Eu já vi isso acontecer em outras cidades. Quando eu estava em Paris alguns bares adotavam esse sistema. Mas no geral, o rango é meia-boca e o drink acaba saindo mais caro.  E além disso, sempre é uma coisa isolada, que fazem aqui e ali, não é uma coisa que você vê por toda parte, como em Milão.


Mas em Milão você vai ver que o rango é caprichado, apesar do drink ser meio carinho (o que você já deve   estar esperando né):



Mas o que parece ser uma espécie de trapaça, em Milão vale a pena. A boca livre nos buffets realmente vale a pena o que você acaba pagando a mais pelo drink. No fundo, acho que Milão é o único lugar onde fazer isso é honesto. Em muitos lugares, você pode sair com aquela impressão que gastou dinheiro à toa, só para tirar uma onda. Mas em Milão, o esquema drink+buffet de apertitivi é o que há de melhor na cidade.


E o motivo é muito simples: os aperitivi na Itália são feitos com ingredientes fresquinhos. Você pega um pratinho com azeitona, tomatinhos cortados e mossarela de buffala - é só um pratinho normal. Mas, é só começar a comelança e colocar a comida na boca, que a mágica acontece. Parece que você está provando algo que você nunca provou na vida, um manjar dos deuses. Nossa, eu comeria até o tomate cru sem tempero algum, de tão gostoso que era. 


Em Milão, existem vários bares e restaurantezinhos que funcionam nesse esquema. Os melhores, é claro, estão nas regiões tradicionais de Milão como em Brera e na região do Navigli, que todo mundo conhece e vai para lá no fim de tarde. Entre os bares que são famosos por oferecer bons aperitivi são o Obika, Da Claudio, Rita, Bar Basso, Pattisceria Cucchi e o Bar Magenta, entre outros.


Uma boa pedida é tomar o famoso Negroni, um drink típico da cidade, que vai campari, uma rodela de laranja e gim. É perfeito para tomar com um apertitivi



Mas se tiver quente, e você quiser uma birra alla spina (cerveja na pressão), também vai bem.


Alguns lugares se especializaram em bebidas e drinks, como o Rita na região dos Navigli., que tem um balcão cheio de bebidas, mas sabe servir um aperitivi bem decente. O nome do bar, obviamente, é uma referência à eterna musa Rita Hayworth.


Rita
Endereço: Via Angelo Fumagalli, 1 

Já o Da Claudio pertinho do Castelo Sforzesco é uma pescheria. Você pode ir lá e experimentar frutos do mar, peixes, sushis, etc. E os peixes ficam expostos no balcão, estilo peixaria mesmo:



Da Claudio
Endereço: Via Cusani, 1



Obika Mozzarela Bar, fica bem pertinho do Duomo. E é um lugar com um ambiente bem contemporâneo.  E você pode ir lá, tomar um drink e se matar de comer mossarela de buffala bem fresquinha.




Obika Mozzarela Bar
Endereço: Via Radegonda, 1

Outro endereço conhecido é o  Bar Basso. Eles se orgulham de ter criado uma variação do negroni. O negroni sbagliato, que vai espumante ao invés de gim, o que dá uma leveza maior ao drink. Ambiente gostoso, com vários drinks à disposição. Só não pode exagerar.





Bar Basso
Endereço: Via Plinio, 39



Já no Bar Magenta, perto de Santa Marie delle Grazie, você toma um drink e pega um pratinho no balcão, e pede para o atendente te servir. Mas você pode repetir a boquinha quantas vezes quiser, sem peso na consciência nem vergonha, todo mundo repete.

Esse bar costuma ter uma mulherada nervosa...mas no dia que eu fui (segunda feira) perto das 18:00 horas, o negócio ainda tava tranquilo...








Bar Magenta
Endereço: Via Giosuè Carducci, 13


Olha, e tem outra: como eu disse, Milão tem várias facetas. Se você é rico e milionário, vá no ristorante Boeucc. Mas se você não quer gastar dinheiro em Milão (deixe suas aventuras gastronômicas para Florença, Roma ou mesmo Nápoles), ir num buffet de aperitiv é uma ótima saída. Vale a pena? Vale sim. Os buffets são ótimos, você não vai se arrepender, e ainda vai lamber os beiços....e o melhor é que pra nós, isso meio que equivale à uma refeição. Até porque alguns aperiviti servem até algum tipo de macarrão (geralmente frio, no estilo salada). Alguns buffets são tão bem servidos que até parecem restaurantes self-services, daqueles  por quilo,  que conhecemos aqui:





Os italianos, malucos como são, ainda são capazes de sair de um botecão e perguntar "onde vamos jantar agora???". É o jeitão italiano mesmo. Mas acho que para nós, brasileiros, uma boquinha dessa já é suficiente.


Os milaneses adoram isso, e o costume de ir no barzinho e tomar um drink e fazer uma boquinha parece já estar cravado na sua cultura. É por isso que Milão é a terra dos aperitivi.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O famoso Luini Panzerotti













Em Milão o panzerotto - uma espécie de massa de pizza assada com recheio de queijo, tomate, presunto, etc - é quase uma instituição.






O panzerotto não é uma comida inventada em Milão, mas está tão adaptada ao cotidiano da cidade, que praticamente em toda pattisceria você vai encontrar esse tipo de massa. Aliás, o panzerotto surgiu bem longe dali, no sul da Itália, na região da Apúlia, a agulha da bota da Itália, sabe? O panzerotto surgiu como uma espécie de calzone menor, ou seja, era uma pizza fechada, o suficiente para matar a fome perto da hora do almoço ou no meio da tarde. Só um tira-gosto.


Mas o panzerotti e Milão tem uma história específica. Há um lugar onde você deve experimentar o panzerotto, obrigatóriamente: é no Luini Panzerotti. Foi Giuseppina Luini que levou a guloseima até o norte da Itália. Isso foi em 1949. Em poucos meses a "novidade" já havia conquistado os milaneses, e aquelas portinhas do Luini Panzerotti ficavam abarrotados de gente. Apesar de ser um lugar muito procurado, que vive cheio o Luini nunca saiu do seu lugar original e tornou-se uma referência da cidade: quer experimentar um delicioso panzerotto com o queijo derretendo que acabou de sair do forno? Vá até o Luini na rua Radegonda bem no centro de Milão.




O Luini Panzerotti  fica a poucos metros da Galeria Vittorio Emanuele II e da Piazza del Duomo, atrás da loja LaRinascente. Então você já sabe  né, fica bem no miolo do centro de Milão, não tem como não achar.


O Luini Panzerotti fica na Via Radegonda, número 16. 





O melhor jeito de chegar até lá é pegar o Corso Vittorio Emanuele, e seguir reto até chegar na "bundinha" do Duomo, bem onde termina a loja LaRinascente. Chegando na esquina já dá pra ver uma ruazinha bem extreita, que vai fazendo uma curva. Ela é bem fechadinha e de lá do começo não da pra ver.
Mas é só caminhar alguns passos, e você já vai ver aquele letreiro inconfundível com o logotipo do Luini.


Rua Radegonda




O Luini Panzerotto possui duas portas, exatamente iguais. Entre em qualquer uma delas. Vai ter atendentes em cada entrada. E as tiazonas do Luini Panzerotti trabalham rapidinho.










Por isso, não se assuste: vai ser comum você encontrar uma fila lá na frente. Mas é rapidinho, em poucos minutos você já vai estar saboreando o seu.


Em média, um panzerotto vai custar 2,30 - 2,40 euros. Mas alguns recheios especiais ficam um pouco mais caro. Você também vai achar panzerottos doces como de figos, nutella ou cacau. Mas acho que os melhores mesmo são os clássicos: o "crudo" ou seja, de presunto; e o de queijo com tomate...hummm.






Mas evite chegar muito tarde, pois o Luini funciona basicamente no horário comercial.

Então, quando você for a Milão, não deixe de experimentar o maravilhoso panzerotto. É rápido, é gostoso, é barato, e fácil de encontrar. Não tem desculpa.

Café & Flores: o Fioraio Bianchi Caffe










            


 Toda cidade tem um cantinho nosso, um lugar que a gente descobre e que tem uma ligação afetiva com a gente, que passa a fazer parte de nós. Para mim, em Milão, este lugar chama-se Fioraio Bianchi Caffe. Uma mistura de café & flores - não é legal?
Está na Via Montebello, número 7, a uma caminha de uns 10 minutos do Bar Brera.





O café foi fundado por Raymond White, esse tiozinho apaixonado por arranjos florais, que dedicou a vida inteira à este lugar...





Esse lugar começou como uma floricultura, mas aos poucos foi servindo umas comidinhas, um cafezinho e pronto: eis que em Milão você tem um lugar para você ir cedinho, tomar aquele café, e ainda pode comprar flores! 


O diferencial do Fioraio Bianchi Caffe é que todos os arranjos que compõe o ambiente do café estão a venda. Os arranjos já estão montados quando o café abre cedinho..e você pode levá-los se quiser.



Você chega no Fioraio Bianchi Caffe para tomar aquele cafézinho e já vai sentindo o cheiro das flores. Muito bom!

E o ambiente é muito bem arrumadinho....




E o pessoal leva o cachorro para passear, e aproveita e entra lá com cachorro e tudo:




Esse lugar conquistou meu coração porque ele é diferente sem ser pomposo demais..e tem um aroma de flores e café fresquinho.




O brechó mais famoso da Itália: Vintage Delirium

       



Mulheres, segurem-se, eu vou falar de um lugar em que vocês vão pirar. Trata-se de um brechó de Milão chamado Vintage Delirium. O endereço, como boa parte das lojas realmente chiques de Milão, é bastante discreto. Para chegar lá é preciso saber o caminho das pedras. Um prédio antigo situado na Via Sacchi, número 3, bem pertinho do metrô, abriga um dos brechós mais conhecidos da Itália, que já vestiu até Madonna e Angelina Jolie. O nome não é a toa, porque parece que ao entrar no lugar, as mulheres (e homens também, é claro) entram em delírio, êxtase.





O local foi criado por Franco Jacassi, um ex-marchand de galeria de arte, que há algumas décadas ficou pirado em roupas no estilo vintage. E é isso que a sua clientela busca lá. Um estilo diferenciado, mais retrô, vintage. Quem pira nisso, entra em delirium (com perdão do trocadilho!). Mas o Vintage Delirium não cheira à naftalina, não. São roupas elegantíssimas, bonitas e de bom gosto. São dois andares repletos de roupas, que estão no meio de uma espécie de confusão organizada (lembra por exemplo aquele clima  bagunçado da livraria Shakespeare and Co. em Paris ,com seus livros jogados, etc, que acaba te dando um clima mais acolhedor). Percorrendo as gôndolas, araras e manequins espalhadas pela loja você vai encontrar produtos que vão de 10 a 80 mil euros. Não é tão barato assim, mas muito mais acessível do que nas lojas que você encontra na Via della Spiga e na Via Monte Napoleone.






Andando pela loja você pode deparar-se com uma coleção de óculos de Christian Dior, tropeça em jaquetas produzidas por Yves Saint Laurent, sapatos da Channel e assim por diante.




Algumas dessas peças nem estão a venda. são só expostas para que estilistas e estudantes de moda utilizem com referência e modelos de inspiração.


É ali que as lojas de grife do Quadrilatero da Moda colocam as roupas que estão na ponta de estoque. Famílias abastadas colocam seu guarda-roupa inteiro de peças da Dior, Versace, etc..só para renovar o guarda roupa com uma coisinha mais atual...chique é quem pode, né?


Também existem os anônimos, que vão até o Vintage Delirium só para procurar uma roupa para se vestir para um espetáculo no Teatro alla Scalla.O Vintage possui um armário repleto de vestidos de luxo e trajes à rigor especialmente para esta ocasião, e é bem procurado. Além dos ricaços, tem gente que quer tirar onde né e pagar de grã-fino né?






Mas a Vintage Delirium é cara, e é conceituada porque encara tudo de uma forma diferente. Hoje em dia, muitas pessoas não seguem as tendências da moda, que está multifacetada, procuram um tom próprio e o Vintage é específico para este público. Mas, qualquer loja que vendo uma roupa com cheiro de mofo poderia se dizer "vintage" ´né? Mas lá na Vintage Delirium há pesquisa, critério. As roupas que entram no seu estoque passam por um serviço de Curadoria, coisa que eu nunca vi em outro lugar.


Então fica a dica, se você gosta do estilo vintage, ou não tem cacife para o Quadrilatero da Moda, em Milão há outra opção. Vintage Delirium, Via Sacchi, número 3.



O Quadrilatero da Moda

Você já pensou num mundo totalmente diferente daquilo que 90% da população pode se dar ao luxo de fazer-comprar-vestir. Aquele mundo onde uma jaqueta de couro custa mesmo que um apartamento em que eu ou você vive...., um lugar cheio de carrões esportivos e mulheres que parecem ter saído de uma capa de revista, carregando sacolas cheias de comprinhas....esse mundo existe, e só poderia ser em Milão....









Via della Spiga no Quadrilatero da Moda








 Eu gosto da ideia de que há uma poética do vestir-se por toda parte. E certa vez, alguém já disse que a moda é a arte de esculpir o tempo no corpo. Uma frase que sempre teve impacto na minha cabeça, pois lembra um pouquinho de Tarkowsky.
É por isso que em Milão eu fui visitar um lugar, o Quadrilatero da Moda, do qual vou falar neste breve post.



UM LUGAR BEM DISCRETO...E CHIQUE!!

Bem perto do centro de Milão, existe um conjunto de quatro ruas que ditam as tendências do mundo fashion. São elas a Via Monte Napoleone, a Via della Spiga, a Via Alessandro Manzoni e o Corso Venezia. As quatro ruas juntas formam aquilo que ficou conhecido como Quadrilatero da Moda.












Se Milão é conhecido como “capital mundial da moda”, é no Quadrilatero da Moda que você vai sentir isso mais de perto. Para quem está chegando lá pela primeira vez, pode parecer meio opressor você andar por aquelas ruas, cobertas de vitrines suntuosas e lojas que dá medo de entrar só por causa da griffe, você entraria numa Louis Vitton, Gucci, Dolce&Gabanna, Versace, Gheraldini, Channel, e por ai vai, vestido só de bermuda e chinelo? Claro que não né? Lugares assim são para poucos...e posso dizer que eu não tenho cacife pra comprar nadinha lá, nem uma pulserinha. Algumas daquelas bolsas, sapatos, casacos, jóias, etc, valem mais do que o meu apartamento em Curitiba. Não dá não? Foda-se.


















O ABERTO



Eu já falei de um lugar assim que eu conheci em Paris, o Triangle d´Or. E praticamente tudo que eu falei sobre aquele lugar se aplica aqui também em Milão. É um lugar onde literalmente você sente que não é pra você, e apesar de as lojas estarem sempre abertas, nunca vejo ninguém entrando lá. E eu já falei que lugares assim lembram a metáfora da  "Porta da Lei"  que nos é contada no livro O Processo de Kafka. Diz Kafka que  nada e não certamente a presença do guardião, impede o camponês de entrar pela porta da Lei, a não ser o fato de que esta porta já está aberta. E Agamben nos lembra que se não entramos em lugares assim é porque é ontologicamente impossível entrar no já aberto..




Mas se esse lugar, subitamente me lembrou o Tringle d´Or que eu havia visitado em Paris, e não por acaso, certamente, eu penso que em Milão, o clima é um pouco diferente. Primeiro porque ao contrário de Paris, que é certamente uma capital da moda também, em Milão praticamente você vai se lembrar dela por causa da moda...isso é muito mais forte em Milão, tudo gira em torno disso, eles levam a moda muito mais a sério porque a cidade depende muito dos investimentos que chegam por conta dessa aura que existe de que Milão é uma cidade da moda. Sem contar que isso atrai um tipo de turismo específico. Muita gente vai pra lá tendo o Quadrilatero da Moda como um ponto obrigatório, e não só pra olhar, como nós pé-rapados não? Gente da grana,isso sim. Olhando aquelas ruas de Milão, com aqueles carroes esportivos, dá pra sentir o que é mesmo ter grana nesse mundo..





Mas a impressão que eu tive é que na Itália, ao contrário de Paris, as boas lojas de grife estão muito mais discretas, sabe? O quadrilatero da moda não é por si só um lugar assim muito diferente das outras ruas de Milão. A nao ser a Via della Spiga, que se destaca um pouco por ser uma rua de pedestres, mais tranquila, as outras são digamos, normais. 


            O que as destaca é o peso que ostentam os logotipos das lojas, isso sim, faz você lembrar que está num lugar diferente. Mas se eu estivesse passando pelo Corso Venezia por exemplo, e não soubesse que ele faz parte do tal Quadrilatero da Moda, teria passado direto. Então, eu aprendi uma lição. Em Milão, o luxo encontra-se lá, bem escondidinho....