sábado, 15 de dezembro de 2012

Cinema Italiano ( I ): o Spaghetti Western



     


    Gostaria de aproveitar o meu post anterior sobre a Fábrica de Sonhos, uma espécie de Hollywood no Tibre, para falar um pouco sobre o que eu mais gosto no cinema italiano... Certamente não vou falar sobre Fellini ou sobre o Neo-Realismo italiano, mas um pouco sobre o Lado B do cinema italiano: meu assunto aqui neste post e nos próximos será o Spaghetti Western,  o Gore Italiano e finalmente sobre Cicciolina

    Ou seja, vou pegar aquilo que está na veia, diretamente ao ponto no que eles sabem fazer melhor. Os italianos foram especialistas (pelo menos nestes campos  como o western, o terror e o pornô) em pegar uma coisa já estabelecida e levar ao seu extremo, quase como se fosse um pastiche de si mesmo. Vou tentar falar neste e nos dois posts seguintes não sobre o que se costuma falar do cinema italiano...as belas cenas de La Dolce Vita,  a estética libertinista de  Salò o le 120 giornate di Sodoma de Pasolini, a crueza de um Ladrão de Bicicletas ou mesmo o pornô concentracionário de O Porteiro da Noite...nada disso, minhas referências no cinema italiano são a Trilogia dos Dólares de Sergio Leoni e a Triologia das Madres de Dario Argento...que seja uma homenagem justa!

BANG-GANG COM SPAGHETTI

     Quem nunca vibrou com aquela cena clássica: o bandido e o moçinho frente a frente, olhares  atentos, coração na mão, mão ligeira, gatinho certeiro...os filmes de faroeste já fazem parte do nosso imaginário. Quando eu era pequeno, claro, sequer tinha ouvido falar dos grandes nomes do Western americano...e depois de um tempo, tudo se misturou....que grande impacto eu tive quando soube que os grandes filmes de faroeste americano eram na verdade...italianos!!!!
   Isso é muito interessante, porque todos sabem que o western começou a ser produzido na Europa exatamente quando encontrava-se em declínio na sua terra natal. O sabor imaginário destes westerns europeus é muito legal, pois apesar de todos esses filmes situarem-se obviamente na América, esses filmes contém elementos e pitadas típicos dos europeus. Os italianos sabem fazer isso...pegam um gênero estabelecido, e exageram. Resulta disso um western muito menos clássico (no sentido clássico narrativo hollywoodiano), mas em compensação com muito mais molho e tempero...estão aí os ingredientes de uma das coisas mais vibrantes que o cinema já produziu, o faroeste italiano ou simplesmente spaghetti western....

O GÊNERO WESTERN, A FRONTEIRA E A MITOLOGIA DO OESTE AMERICANO

O faroeste é o gênero cinematográfico que ajudou a tornar conhecida mundialmente toda aquela mitologia do Oeste norte-americano, a idéia da Fronteira, da marcha para o Oeste repleto de aventuras e perigos..



O Western firmou-se como gênero dramático por volta dos anos 50, mas ele não foi o primeiro a utilizar a temática do Velho Oeste como fonte para aventuras. Muito antes, quando o Cinema ainda engatinhava e ainda era objeto de feiras científicas, tida como uma curiosidade e não como uma forma de manifestação artistica, a mitologia do Oeste já era disseminada pela Europa por outros meios... 

No século XIX, aproveitando a curiosidade dos Europeus pelo excêntrico e pelo exótico, William Code reuniu um punhado de "peles vermelhas" cavalos, pistolas, carroças, etc e os levou ao Velho Continente. Surgiu assim a figura de Buffalo Bill e seu lendário show "Wild West" que atraía milhares de pessoas na Europa (quando eu estive em Milão visitei o local onde foi apresentado este espetáculo). 







Acredito que grande parte dos esteriótipos sobre a Fronteira tenham sido moldados pelo show de William Code, lá estavam todos os elementos dramáticos de uma fronteira selvagem, capaz de levar mais de 10 mil expectadores as arenas....grande parte do Wild West Show de Buffalo Bill e a mitologia sobre o Oeste Selvagem vai ser apropriada mais tarde pelo Cinema...


OS PRIMÓRDIOS DO WESTERN NO CINEMA


Porém, muito antes de se estabelecer como gênero, o Oeste já servia como matéria prima para o Cinema ainda incipiente....Não fazia muito tempo que a película dos irmãos Lumière,  mostrando um trem em movimento na estação de Ciotat, deixava o povo atônito...

É impressionante, mas em 1903, quando o cinema ainda engatinhava, e não se tinha uma grande preocupação em estabelecer um código narrativo, surgiu um filme de bang-bang totalmente estruturado. Naquela época, as exibições cinematográficas muitas vezes eram itinerantes, as salas de exibição muitas vezes resumiam-se a uma apresentação pública de uma geringonça que era considerada um dos grandes produtos da evolução científica da Revolução Industrial. Por isso, as cenas geralmente aproximavam-se daquele tom documental, registrava-se o movimento da rua, um trem em movimento, etc...Muitas vezes, não havia um enredo num filme, a exibição das imagens era aleatória... 

Ainda nos primórdios do Cinema Mudo (o termo "Cinema Mudo" na verdade é um erro pois pressupõe que as exibições não continham barulho, quando na verdade, a coisa era bem barulhenta)..surgiu um filme de faroeste chamado The  Great Train Robbery, de Edwin Potter, uma história que, como o título nos conta, segue a trilha de 3 bandidos que resolve assaltar um trem.





    E você vai ficar impressionado, mas já na aurora do Cinema, estão ali todos os cânones do gênero...O filme de um pouco mais de 12 minutos contém elementos que serão seguidos por muitos filmes de faroeste, desde aquela cena meio jocosa em que o vilão faz um coitado dançar atirando em seus pés, até a tensão crescente que termina num fabuloso climax, um "tiroteio final"...

   Esse filme ainda contém algumas peripécias técnicas muito interessantes para a época. Por exemplo, ele é muito ousado ao filmar várias sequências em locais diferentes, criando linhas narrativas paralelas, que são entrecruzadas...e mesmo assim mantém a coerência, o andamento (numa época em que fazer um take de um plano aberto já era difícil, imagine construir uma narrativa com várias histórias paralelas acontecendo ao mesmo tempo). Aliás, imagine...na época, para dar o close no rosto de uma pessoa se fazia algo como uma espécie de máscara de papelão com um furo no meio que se colocava na frente da lente e isolava o rosto de uma pessoa. O filme de Edwin Potter você já vê até movimentos de zoom da câmera...

também aquela cena típica para provocar o público. Como nos primórdios do cinema 3d, quando jogavam uma coisa estourando na tela para as pessoas tomarem um susto...Numa cena do filme, um dos personagens olha bem fixamente para a câmera, saca a pistola, e dá um tiro, tudo isso em segundos....cardíacos não poderiam assistir esse filme naquela época...


Ai que susto!




A ERA DE OURO DO WESTERN

Todos sabem, se o Cinema norte americano é referência mundial e se o código narrativo clássico hollywoodiano é seguido por todos, o Western teve um papel fundamental na consolidação do Cinema. 

Para muitos, as décadas de 40 e 50 produziram os melhores cinemas de western norte-americano. Foi uma safra incrível, uma era de ouro...Rastros de Òdio, No Tempo das Diligências, Os Brutos também amam....


Surge ai a figura do pistoleiro mal encarado e solitário, másculo, como numa propaganda do cigarro Malboro...é claro, quem melhor para representar o esteriótipo do machão, do  cowboy durão, do pistoleiro sanguinário e destemido de gatilho rápido  do que John Wayne?




Em Rastros de Òdio o vilão ainda é o pele vermelha. Ethan sai a procura por vingança dos índios que mataram sua familha, deixando para trás de si uma trilha de sangue. Mais tarde o próprio western promoverá um revisionismo neste papel de vilão, subvertendo-o...e mostrando o outro lado da moeda, ou seja, do extermínio da população indígena durante a escalada para o Oeste. Mas estamos em 1950, naquela época ainda é assim que eles enxergavam os indígenas. 


   Outro clássico dirigido anteriormente por John Ford, No Tempo das Diligências (1939), apresenta um grupo se dirigindo ao Oeste, e entre desentendimento entre os viajantes da caravana, vemos as diligências constantemente salpicadas com ataques dos índios comandados pelo bravo Gerônimo.



KUROSAWA NO VELHO OESTE

Se o Western vai beber de fontes muito heterogêneas de William Code à Arthur Conan Doyle, uma figura irrepreensível faz seu aparecimento no Western de forma subliminar. Grandes cineastas hollywoodianos atualmente rendem tributo ao cineasta japonês. Mas a moral de Kurosawa vai além de caras como Brian de Palma e Martin Scorcese, e vai ser recorrente em nomes como John Struges e até Sergio Leone.

Vejamos...
Em 1954, Akira Kurosawa lançou o seu clássico Os Sete Samurais (Shichin no Samurai). Na trama uma aldeia de agricultores ambientada no Japão do século XVI é fustigada pelo ataque de arruaceiros, estupradores e saqueadores, que destruíam suas plantações e raptavam suas mulheres. Cansados de viver essa situação, os aldeões pedem ajuda de 7 samurais e os contratam pra defendê-los de seus agressores.
Os samurais aos poucos foram se afeiçoando ao modo de vida de seus protegidos e colocam sua vida em risco para livrá-los do mal....



A idéia é tão boa que o diretor John Struges decide fazer um filme em 1960 do outro lado do Pacífico, em Hollywood, com o seguinte argumento: cansados dos abusos de um grupo de bandidos que roubam saqueam e estupram, os moradores de uma vila pacata decidem contratar 7 pistoleiros para protegê-los...entendeu? ou quer que eu desenhe? O nome deste filme é The Magnificent Seven, que foi traduzido com o título de Sete Homens e um Destino.




Mas o namoro improvável entre o cineasta japonês e o gênero western não pára aí....Veja outro exemplo. Em 1961, novamente o Kurosawa lança um filme chamado Yojimbo. Este filme começa com a chegada de um ronin (samurai) chamado Sanjuro à uma vila no Japão. Acontece que esse forasteiro chega nesse local em meio à uma violenta guerra entre dois clãs rivais os Sebei e os Ushitora. Vendo neste conflito uma mina de ouro para arranjar uns trocados e se dar bem, o forasteiro acaba usando a inteligência e trabalhando para os dois lados, tirando o máximo de proveito possível da situação e colocando uns contra os outros....

É exatamente essa a linha argumentativa da trama de um dos filmes seminais do Spaghetti Western, Por um punhado de dólares...de Sérgio Leone. O papel do ronin Sanjuro na aldeia japonesa é exatamente igual ao que faz Clint Eastwood na pele do pistoleiro sem nome no filme de Leone...

Por mais improvável que seja o casamento entre Kurosawa e o genero Western, até que essa parceria rendeu alguns dos momentos mais memoráveis do Cinema....

O CHUCRUTE ANTES DO SPAGUETTI: KARL MAY E O FAROESTE ALEMÃO

Se você acha que o gênero western aterrizou com tudo em terras européias diretamente nas margens do Rio Tibre está enganado. O ancenstral do Spaghetti Western já se encontrava lá, na Europa, através da figura de Karl May.

Todos sabem que Karl May era um maluco de pedra, que fazia descrições imaginárias e belíssimas de mundos que ele nunca conheceu. Assim ele fazia descrições com desenvoltura do Oriente Médio, sem sair da sua poltrona na Saxônia. Esse cara fez parte da infância de uma geração inteira, desde Herman Hesse, Albert Einstein e até Adolf Hitler declaravam-se apaixonados pelas aventuras de Karl May. De fato, no auge de sua popularidade, May tinha status de celebridade na Alemanha, mas também fora dela.

O fato é que Karl May era ótimo em inventar lorotas. Ele se dizia poliglota e dominar trocentas línguas, inclusive idiomas indígenas como o dialetos dos Siox, Comanches e Apaches além de línguas polinéseas e o caralho a 4...tudo mentira, obviamente.

Com essa capacidade enorme de inventar lorotas e descrever lugares distantes sem tirar a bunda de sua confortável poltrona em sua casa, Karl May fez descrições incríveis sobre o Oeste norte-americano. Surge então no final do século XIX um autêntico personagem do western, em terras alemãs. Seu nome é Winnetou...

Winnetou era um índio. Ele foi o protagonista de uma série de livros de Karl May sobre o Oeste norte americano como Entre Abutres e Nas Fortalezas da Montanha.

Os livros de Karl May ambientados no Oeste americano retratam a relação de amizade entre o índio Winnetou e o cara-palida Old Shatterhand (algo como o próprio alter ego de Karl May). Quando os dois se juntavam, sai da frente, eles distribuíam pancadas pra tudo que é lado....



Acontece que nos anos 60 o gênero Western já começava a entrar em declínio na sua terra natal. Nos Estados Unidos, pátria e origem do Western, ninguém mais queria saber  de tiroteio e bang-bang...

Foi ai que uma produtora alemã, já quase falida, a Constantin, resolveu reabilitar a figura do índio criado por Karl May, e lançou no início dos anos 60 um filme chamado Winnetou, o Guerreiro.



O filme era tão promissor que contou até com a grande musa da época, Marianne Koch pra fazer o par romântico com o mocinho (um pistoleiro de cabelos loiros e olhos azuis).

Então pense bem, um dos primeiros faroestes filmados na Europa não foi feito no grandioso estúdio Cinecittà (o mesmo onde foram gravados clássicos como Ben-Hur e Cleópatra) mas sim num estúdio na Alemanha com locações na Alemanha Ociental e na Iugoslávia. O filme de Winnetou fez tanto sucesso que virou até uma série de televisão com relativo sucesso na época...tudo ia de vento em polpa na Europa, quando nos Estados Unidos as portas se fechavam para as produções do gênero. Não foi à toa então, que o gênero western migrou lentamente nos anos 60 para o outro lado do Atlântico. Foi nos anos 60 que surgiu então o gênero italiano do Western, o Spaghetti.....Mas, o chucrute veio antes do espaguetti na figura do índio Winnetou....


A REABILITAÇÃO DO GÊNERO: SÉRGIO LEONE E A "TRILOGIA DOS DÓLARES"

O filme Por um Punhado de Dólares (1964) , de Sérgio Leone é considerado o trabalho que inaugurou o chamado Spaguetti Western como gênero cinematográfico. Ele forma junto com Por um punhado de dólares à mais (1965) e Três Homens em Conflito (1966), a famosa "Trilogia dos Dólares" que é uma espécie de obra que resume todos os cânones do Spaghetti Western.



Não, o western italiano não é falado com sotaque macarrônico. Em Por um Punhado de Dólares por exemplo, o protagonista é Clint Eastwood. Mas o idioma é irrelevante, pois como todos sabem, o pistoleiro interpretado por Eastowood não é o tipo de cara que fala muito....

De qualquer forma, Sérgio Leone, o diretor da Trilogia dos Dólares nunca escondeu que a idéia de que poderia ganhar dinheiro trazendo o gênero norte americano por excelência para a Itália foi inspirado na experiência bem sucedida do seriado Winnetou, produzido na Alemanha Ocidental. Se um bando de chucrutes podia fazer um filme de western americano com cowboys de cabelos loiros, por quê não fazer tais filmes na Itália?

Aliás, quem pensa que a Itália era fraca, não era não. Cinecittà, o grande estúdio italiano, chegava a ser, proporcionamente, uma espécie de Hollywood na Europa. Eles tinham a poucos quilômetros do centro de Roma toda uma estrutura para produzir filmes. 

Per pugno di dolare (Por um Punhado de Dólares) foi o primeiro filme da trilogia de Sérgio Leone. Com eu disse, esse filme foi totalmente inspirado no filme Yojimbo de Akira Kurosawa. Ele apresenta pela primeira vez a figura do pistoleiro sem nome vivido por Clint Eastwood. Nessa cidadezinha que faz fronteira com o México, o pistoleiro consegue um punhado de dólares usando sua esperteza e trabalhando para dois grupos rivais....Cara, como esse filme é divertido!!! eu não consigo deixar de assistir, sempre que posso...

Já o filme seguinte, Per qualche dollaro in piú (Por um punhado de dólares a mais) lançado um ano depois, em 1964, Clint Eastwood retorna ao papel do pistoleiro sem nome, desta vez em busca de uma recompensa pela cabeça de um bandido chamado El Indio. Sérgio Leone, já começava então a ganhar liberdade artística e vai construindo os esteriótipos do gênero.

Il Buono, il Brutto, IL Catitvo (Três Homens em Conflito) o filme que fecha a Trilogia dos Dólares em 1966 é, para mim, um dos melhores filmes de western de todos os tempos. Este filme ´tem uma legião de aficionados, inclusive Quentin Tarantino, que se diz um fã declarado de Spaguetti Western, todos sabem, e que colocou este filme entre os TOP 10 dos melhores filmes de todos os tempos. Esse filme é divertido demais. Conta a história de três bandidos espertalhões (o Bom, o Bruto e o Feio no título original) que a contragosto estão unidos numa mesma empreitada: encontrar um tesouro escondido num cemitério durante os conflitos da Guerra Civil Americana. Acontece que cada um deles só sabe uma parte da localização do tesouro...então, já viu né? O filme tem a mesma pegada dos outros, já que todos são espertalhões como a figura do pistoleiro do primeiro filme, mas ninguém acredita que caso os três encontrem o tesouro juntos, dividirão entre si em partes iguais né? Então, o filme inteiro é um tentando passar a rasteira no outro. Divertidíssimo e brutal ao mesmo tempo.




O LEGENDÁRIO ENNIO MORRICONI

Dizem que certas trilhas são eternizadas pelo cinema tanto quanto as suas imagens. É o caso de Ennio Morriconi.  



Todo mundo sabe cantarolar aquele assobiozinho renitente que encontramos na trilha de Três Homens em Conflito...Então, Morriconi deu ao Spaguetti Western uma espécie de identidade sonora ou musical. Todo filme de western italiano tem aquela trilhazinha tensa, com assobios e fistful de guittara característicos.

Pouca gente sabe, mas Ennio Morriconi e Sergio Leone moraram durante a infância no mesmo bairro, o Trastevere. Ali, na margem oriental do Rio Tibre, o realizador e o maestro viveram sua infância e até estudaram no mesmo colégio, sem se conhecerem na época. Ennio Morricone e Sérgio Leone formaram um time perfeito....

Você consegue imaginar como seria o Spaghetti Western sem a lendária trilha sonora de Ennio Morriconi?



O VIOLENTO DJANGO

Eu já falei que os italianos pegam um gênero já estabelecido e o levam a todos os paradoxismos possíveis. Mas com Django eles realmente avacalham...



Pense em litros e litros de sangue. Um cara que simplesmente decide colocar uma metralhadora giratória dentro de um caixão e segue pelo Oeste americano em busca de vingança dos caras que mataram sua esposa...é isso. Ou seja, puro pretexto para a sanguinoleira mais extrema do Spaguetti Western....



Ou seja, Django seria uma espécie de Jason Vorhees do western...o cara simplesmente sai ripando todo mundo que vê pela frente.



O filme surgiu em 1966 e tem o ator Franco Nero no papel título...O diretor Sérgio Corbucci já teve que se explicar diversas vezes na época, porque adotava uma estética tão sanguinolenta em seus filmes. O cara não queria saber lá de muita conversa fiada....é sangrera do começo ao fime...

Django acabou se tornando numa espécie de figura mitológica do Western. O filme se multiplicou e o personagem saiu do controle. Assim, é possível que você já tenha visto várias variações utilizando o personagem Django ao longo dos anos 70. Mas além do original de 1966, o único filme que dá continuidade direta ao clássico é Django II: Il Grande Ritorno, com a dupla Franco Nero e  Sergio Corbucci trabalhando juntos novamente em 1984...Então não se engane e vá direto à fonte. Você quer ver um dos momentos mais sangrentos do Spaguetti Western, você quer ver um cara que joga bosta no ventilador? esse cara é o violento Django com seu trabuco dentro de um caixão...

HOMENAGEM AO SPAGUETTI WESTERN 1: TAKASHI MIIKE  "SUKIYAKI WESTERN DJANGO"



Django saiu do controle de Sergio Corbucci e já faz parte da mitologia do spaguetti western. Mas pense num cara totalmente maluco fazendo uma homenagem a Django? Esse cara é Takashi Miike...



Os filmes de Takashi Miike já são perturbadores por natureza. Ele é pouco conhecido no Ocidente (fez uma pontinha numa cena de O Albergue, cujos diretores são fãs declarados de Miike).Lá, nas terras nipônicas, esse cara costuma deixar os japas de cabelos em pe com seus filmes que beiram o sadismo e o gosto duvidoso. (é um cara que transita com a mesma facilidade entre filmes sobre a yakusa, terror japonês , filmes sobre incesto e filmes infantis)



Pois bem, esse maluco decidiu fazer uma homenagem ao Spaguetti Western, trasportando o para o contexto japonês. O resultado é Sukiyaki Western Django. Esse filme é interessante porque faz exatamente o mesmo que fizeram há algumas décadas atrás Sergio Leoni e John Struges. Ou seja, enquanto os primeiros foram pegar um filme sobre samurai, e os transformaram em pistoleiros usando Kurosawa como fonte de inspiração. Aqui Takashi Miike faz o contrário, ele pega o personagem do Django (embora você veja também traços de influência do pistoleiro sem nome de Sergio Leone) e o coloca no Japão em meio a uma guerra entre clás rivais os Gengi e os Heike. Ou seja, agora é o caminho inverso, são os pistoleiros que são transformados em samurais sob a paleta do maluco Takashi Miike. E o resultado é igualmente delicioso, pois o samurai de Sukiyaki Western carrega pistolas e usa chapéu, mas tem olhos puxados..

Esse pistoleiro sem nome chega a cidade japonesa de Yuta para ajudar uma prostituta a se vingar das gangues rivais...É muito divertido assistir Sukiyaki Western Django, você vai ver várias homenagens aos clássicos do spaguetti italiano, mesmo que seja um tanto desconcertante você ver katanas contra pistolas...vai, é Takashi Miike, finge que é normal! e aproveite.



Mas o trabuco não deixa nada a desejar ao filme original...


Ah..pra quem não sabe, o próprio Quentin Tarantino, que adora esse filme, fez uma pontinha no filme de Miike....veja só:




HOMENAGEM AO SPAGUETTI WESTERN 2: QUENTIN TARANTINO  "DJANGO LIVRE"

    Django voltou na boca do povo através do recente filme de Quentin Tarantino. E ninguém esperava menos né? Um cara que sempre se mostrou um cinéfilo que busca influência em fontes tão heterogêneas como filmes de kung fu, cinema grindhouse, literatura pulp e é claro, spaguetti western, não ia tardar a fazer sua homenagem ao gênero que tanto gosta e em grande estilo..lançando Django Livre, com direito à trilha sonora de Ennio Morricone e tudo mais.


Neste filme, Django é um escravo liberto, que é segue um caçador de recompensas, dr. Schultz,  que o liberta em troca da ajuda para capturar os irmãos Brittle. No caminho, Django descobre que pode rever sua amada Broomilda, que foi separada dele e encontra-se na fazenda conhecida como Candyland. Mas para reencontrar sua amada, ele precisará da ajuda do caçador de recompensas contra o fazendeiro aficionado por luta de escravos vivido por Leonardo di Caprio.





Pra mim, a cena mais divertida e surreal do filme de Tarantino é quando aparece Franco Nero (o Django original), e os dois "Djangos" ficam discutindo a pronúncia certa do nome...hilário...




PIPOCA E SPAGUETTI WESTERN...

Então...se você gosta do gênero western...e lendo um pouco aqui, bateu aquela saudade daqueles filmes que fizeram parte da sua vida. Não tenha vergonha...reúna os amigos, se espalhe no sofá, e faça uma seção da trilogia dos dólares, do django, ou qualquer outro filme que envolva pistolas e sangreira....não importa que o legítimo faroeste foi produzido nos Estados Unidos, na Alemanha ou na Itália...!!! Tutti la mesma coisa.!


Pois sangreira é o que não vai faltar no próximo post, sobre o Gore Italiano....

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